Saudações, queridas mulheres guerreiras,
jovens, mães, anciãs, bruxas e Deusas!
Pelo poder da sincronia da Teia da Grande Mãe, é
uma maravilha do un iverso,
neste momento, ser uma ferramenta para a grande REDE-REVOLUÇÃO
FEMININA.
A campanha SEGUNDA VERMELHA surgiu dessa grande teia de comunicação
subterrânea feminina. Com nome original em inglês
“Menstrual Monday”, ou “Segunda Vermelha”,
adaptado para o português, a campanha convoca a mulher
contemporânea a participar ativamente de sua própria
vida, redescobrindo e compartilhando com outras mulheres sua
essência, empoderando-se e tornando-se uma forte agente
transformadora de si mesma, de sua comunidade e do planeta.
A primeira vez que se comemorou foi em 2000, idealizado por
Genebra Kachaman e Molly Strange. Elas arrumaram um jeito
de incentivar as mulheres a ritualizarem suas menstruações
e o fizeram com manifestações artísticas.
Na época, a campanha teve adesão da França,
Canadá, Escócia e Quênia. Kachaman e Strange
diziam que a intenção da campanha era criar
um senso de diversão em torno de menstruação;
para encorajar as mulheres a assumirem a responsabilidade
da sua menstruação e de saúde reprodutiva,
para criar uma maior visibilidade da menstruação
nos meios de comunicação social; e para reforçar
a honestidade da menstruação em nossos relacionamentos.
Na realidade, a campanha foi um efeito contrário à
grande quantidade de registros do chamado “choque tóxico”
provocado pelos tampões internos, naquela década
de 90, e por tudo o que ele representa para a mulher: vulnerabilidade,
vergonha, invasão, agressão e uma infinidade
de doenças arrebatadoras e outras tão silenciosas
quanto fatais, como o câncer de útero. Os tampões
vão bem, obrigada, e pra quem trabalha com saúde
da mulher, como eu, sabe que o número de casos de “choques
tóxicos” com tampões e absorventes descartáveis
continua de vento em polpa, no mundo todo. Menos na Índia,
porque lá elas nem sabem o que é isso. Bom,
sorte a delas.
O movimento “Segunda Vermelha” parte de uma releitura
dos aspectos femininos que se contrapõe ao movimento
feminista da década de 70, onde os processos cíclicos
da mulher foram caracterizados como uma desvantagem para a
disputa com o homem pelo mercado de trabalho. Ele é
fruto de novas perspectivas em relação à
mulher e à natureza, o que ficou denominado como ecofeminismo,
que revela um novo corpo feminino que se molda e vem surgindo
em movimento de valorização dos aspectos e protagonismo
femininos, revelando um enorme potencial das mulheres em mudar
o curso da história. A campanha não pretende
excluir o homem das novas atividades dessa nova mulher; ao
contrário, é um chamado para valores como honra
e respeito à diversidade, principalmente à multiplicidade
dos aspectos da mulher.
O movimento teve como mote o dia das mães. Porque a
menstruação vem antes da maternidade e, muitas
vezes, depois dela também. E, na verdade, é
a grande liga, o grande fio condutor da vida - o sangue. Mas
eu queria dizer mais uma coisa sobre esta data escolhida para
representar a Segunda Vermelha: inicialmente Julia Ward Howe
criou o “Dia das Mães para a Paz” nos Estados
Unidos. É, pois é, o dia das mães era
político/espiritual. É verdade também
que a visão oportunista americana o transformou em
uma data “capitalistamercadológica”, porém
vejo em nossas mãos a chance de redefinir esta data
novamente.
O fato é que, nos anos que se seguiram, a campanha
foi tomando forma. Silenciosa forma, é verdade, com
alguns registros em outros países. E sempre comemorada,
mantida e coordenada por Deanna L’am nos Estados Unidos.
E, assim, por este sincronia do Universo e das Teias da Grande
Mãe, conheci DeAnna L'am, pois partilharmos do mesmo
estilo de trabalho. Ela compartilhou a proposta. Achei linda
e viável. Convidou-me pedindo que eu coordenasse a
campanha na América do Sul. Eu recebi. Gestamos. E,
juntas com Danielle Sales, agilizando as traduções,
co-criamos a vontade da Deusa manifesta em terras sul-americanas.
E foi assim como eu estou contando: falei com uma grande amiga
circular argentina, Myrian Wingutov e sua “Rueda
Púrpura”, para que se juntasse a nós.
Ela amou
a idéia e convocou suas hermanas.
E lá, mais próximo dos Andes no Chile, “mi
preciosa” Mahi e seu Circulo Matriztico.
E aqui no centro do país, em Brasília, as lindas
e queridas Melissas da Teia de Thea guiadas por Natália
Carvalho. E a teia foi crescendo, nossa forte anciã
Doroti Siqueira nos pampas gelados do Brasil com sua enorme
receptividade reverberou junto; e pertinho, em São
Paulo, minhas “hermanas
circulares” Patrícia Fox, Babi Ferreira e Soraya
Mariani... E aí, eu já não precisei mais
convocar. Os círculos concêntricos foram atingindo
outros círculos em São Paulo, no interior e
na cidade, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e João
Pessoa. E outras mulheres foram divulgando em seus blogs,
sites, grupos de internet... E na SEGUNDA VERMELHA
2008 LATINA todas “vermelharam” juntas
em um só ventre e coração.
A campanha pode tomar proporções que desconhecemos,
em princípio, mas em nossas células mater está
a visão acima dos acontecimentos. Eu creio nisso.
"Eu não me curo sozinha, eu me curo junto a outras
irmãs."
Esta linda frase é de uma irmã muito querida
do Chile, Canella, uma linda canalizadora de Danças
Circulares, e este verso está em uma de suas músicas.
Eu o escolhi para finalizar este relato da Segunda
Vermelha 2008 porque, mesmo sabendo que ainda é
preciso curar muito as relações entre as mulheres,
principalmente entre as lideranças desse re-despertar
feminino, onde é necessário cultivar trocas
sadias de respeito à medicina de cada uma e à
sua própria medicina, creio em uma linda e poderosa
Teia Cósmica, e dou graças a esta poderosa e
Velha Aranha que tece desde os recôncavos do meu Ventre
e me mantém integra em meu propósito: tecer
sempre!!!
A todas as mulheres que, ao tomarem conhecimento de seu Poder
de Sangue, sentiram-se a mais poderosa Deusa dos mundos, minhas
sinceras reverências.
Eu, Sabrina Alves, falei, AHOW!
With love, DeAnna L’am.
Relatos da Segunda Vermelha
no Brasil
Babi Guerreiro - Tradutora
Foi maravilhoso!!!
Por ser segunda-feira, muitas das meninas do grupo de estudos
pagão que organizo estavam trabalhando, então
nos reunimos em cinco mulheres em lugar super aconchegante
(as fotos logo estarão postadas em meu perfil), e foi
maravilhoso, falamos sobre os mistérios e o poder da
nossa menstruação, a importância de estar
consciente em nossa condição de mulher, as meninas
receberam o Ritual da Reconsagração do Ventre,
adaptado do livro "Anuário da Grande Mãe",
para que elas possam se reconectar com seu útero...
Trocamos experiências a respeito do período menstrual...
Resumindo, elas adoraram e eu também... Definitivamente
quantidade não é qualidade... E as meninas que
não foram já me contataram pra marcarmos outra
reunião dessa... rsrs... Foi ótimo.
Soraya Mariani – Coordenadora da Cirandda da
Lua
Cirandda da
Lua agradece e honra inicialmente o Clã dos Ciclos
Sagrados, em parceria com DeAnna L'am, pelo lindo projeto!
Que possamos sempre fazer parcerias com objetivos tão
nobres e necessários: "redescobrindo e compartilhando
com outras mulheres sua essência, EMPODERANDO-SE e tornando-se
uma forte agente transformadora de SI MESMA, de sua comunidade
e do Planeta". Não conseguimos registrar todos
os momentos, mas acreditamos que temos o necessário
para aquecer e renovar o coração de nós,
mulheres, que acreditamos e retomamos o modelo circular, a
reverência à Terra e à Deusa, o respeito
a nós mesmas e ao Círculo de Mulheres!
Daiana Gonçalves – Secretária
e Artesã
A minha Segunda Vermelha foi especial. Como todas as outras
segundas, mas com um ar de paz.
Acordei empolgada para colocar a blusa vermelha, fiz as unhas
e passei esmaltes vermelhos, estou terminando um artesanato
que comecei neste dia, fiz em vermelho também, conversei
com uma amiga sobre a nossa primeira menstruação
(lembro do dia, mês e ano certinhos, lembro que eu me
sentia uma mulher toda poderosa... rs).
Quase não uso roupas vermelhas, então fui muito
elogiada, foi especial mesmo...
A noite foi tranqüila, comi uma deliciosa massa com molho
vermelho que eu mesma preparei - e olha que não sou
de cozinhar! -, depois fiquei em meu quarto ouvindo música
e lembrando coisas maravilhosas que já fiz.
Foi um dia todo especial pra mim, fiz uma visita ao passado
para resgatar a pessoa que eu escondia com as repressões
do dia-a-dia, e vi que preciso respeitar minhas vontades,
parar de me repreender, isso me faz mal. Dormi super bem e
acordei melhor ainda, estou me sentindo um pouco mais livre.
Como é bom ser mulher... Amo ler tudo que vocês
escrevem, me faz bem.
"Sejas forte,
Sejas poderosa,
Sejas abençoada pelo poder de teu sangue."
Patricia Fox – Coordenadora da Hera Mágica
A primeira coisa que me chamou a atenção foi
que, ao montar o altar do círculo, a energia era de
festa, uma festa de "meninas". Levei chocolates,
balinhas de cereja, suco de uva e coisinhas doces...
A meditação de chegada (sempre faço uma
bênção para que as mulheres adentrem na
sala dos encontros) foi "chamando a menina interior".
Pedi para que elas mentalizassem a si próprias com
a idade em que tiveram a primeira menstruação...
e, ao som do meu tambor, elas entraram no círculo.
Comentários das participantes:
- Citando outra deusa que serviu de inspiração
no dia, as emoções naquele dia estavam aflorando
do mundo invernal, ou seja, de PERSÉFONE... a deusa
das sementes, a guardião da morte e da noite... e o
que foi muito comentado no círculo era a sensação
de "confusão, limitação e desapego
do mundo infantil.
- O não poder brincar na rua, entrar na piscina, correr
livre foi quase que um comentário geral das "m eninas
mais velhas". As mais jovens abordaram o tema com mais
"naturalidade", mas senti que as gerações
mais recentes estavam ainda mais distantes do sagrado. Senti
que elas estavam mais "sozinhas" no processo, pois
o tema já fazia parte do mundo delas, mas não
de uma forma sacralizada (respeitosa), mas meio banalizada.
As reações das famílias no geral, foram
positivas... mas algumas compartilharam a dor de não
terem sido acolhidas nesse momento crucial feminino.
O mais interessante e, para mim um "presente", foi
sentir que o círculo curou e equilibrou, senão
totalmente, mas conseguimos transcender algumas dores, e a
relação dessas mulheres com a menstruação
ficou diferente... o olhar mudou de "incomodado"
para "poderoso".
Uma frase que marcou, vinda de uma mulher que nunca tinha
participado de um círculo de mulheres e se considerava
pouco à vontade com sua feminilidade até então:
"De agora em diante vou ver minha menstruação
como uma fase de potencial renascimento".
- Pra mim, como sempre, foi curativo... encontros como esses
só me dão mais ânimo (alma) pra continuar
nesse rio... que às vezes fica VERMELHO!
Celia Saugo no Blog Anfíbia - Coordenadora
do grupo Centopéia
Não curti muito o atrelamento da data ao comercial
dia das mães... mas de alguma forma tinha de ser 'ancorado'
e não estou aqui pra criticar a iniciativa da sua criação.
Qualquer reflexão que as mulheres se disponham a fazer
no sentido de aceitarem e assumirem seu sangue, sua natureza
de mulher, é um passo e é importante. Mas eu
vou gostar mesmo quando cada mulher simplesmente deixar de
ir trabalhar em todo primeiro dia de menstruação,
num movimento silencioso de auto-respeito. São muito
profundas as reflexões que podem vir com a Segunda
Vermelha... Desejo que todas nós possamos meditar em
nosso próprio sangue, nosso fluido vital e mágico,
e ouvir toda a sua sabedoria.
Danielle Sales - Ciclos Naturais do Feminino –
YahooGroups
Eu queria muito ter comemorado minha Segunda Vermelha em grupo,
mas não foi possível. De manhã, coloquei
uma blusa vermelha, um casaco vermelho e meu colar menstrual.
Falei sobre a data com as colegas de trabalho e, à
noite, fiz uma pequena meditação sobre a menstruação
e tentei me conectar a todas as mulheres que estavam celebrando
esta data, em círculo ou sozinhas, como eu.
Ghislaine Pelat na lista “Ciclos naturais do
feminino”
Eu também comemorei a minha Segunda Vermelha.
Fui trabalhar de vermelho.
Conversei com uma das turmas que eu dou aula e foi muito legal!!
À noite, fui encontrar o "círculo da Lua"
na Hera Mágica junto com algumas convidadas.
Foi muito bom compartilhar esse momento e refletir sobre muitas
coisas que estão atreladas.
Postei foto e texto do que rolou lá no meu multiply
(http://ghis.multiply.com).
Deleitem-se!
Beijinhos, Ghi
Agradecimento a Deanna L’am, Danielle Sales,
Luciana Netto, Carla Lampert, Ricardo Martins, Gina Cloud,
Miranda Gray, Anália Bernardo e ao Guia Vegano. Aos
meus Círculos de Mulheres, “Clã dos Ciclos
Sagrados” e “Círculo Sagrado de Visões
Femininas”, pela união, confiança e amor.
E também aos círculos que tão graciosamente
aderiram, confiaram e registraram a comemoração
da
Segunda Vermelha no Brasil: Teia de Theia, Hera Mágica,
Clã Dança da Avó Lua e Cirandda da Lua.
Sigamos juntos reverberando em ventre, coração
e espírito.
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