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| As druidesas hoje |
Sacerdotisas do povo celta, as druidesas
marcaram a história humana de modo muito especial com
seu exemplo de força e sensibilidade. Numa época
de forte cunho patriarcal entre os povos, elas souberam exercer
a alquimia da feminilidade vibrando intensamente suas várias
facetas, como guerreiras, curadoras, mães e amantes.
Absoluta quis ouvir mulheres que seguem hoje no Brasil aquilo
que o druidismo nos ensinou.
CassYes H. Ethain, Mayra Ní hEireann e Patrícia
Fox, focalizadoras do Feminino, contando seus caminhos pessoais,
nos mostram como a mulher moderna tem na energia ainda muito
da vibração druídica.
Entre tantas sutilezas que exalam profundidade e mistério,
nossas convidadas falam também de sua conexão
com os círculos e espirais, que no caso de Patrícia
se transformou em tatuagem. E para uma reflexão específica
sobre círculos, Absoluta convidou ainda Lucineide Nobre,
educadora biocêntrica, que remonta para nós um
pouco de sua larga experiência em vivências de grupo
e danças circulares. |
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Um coMigo, Um conSigo! Espirais em
Mim...
Um Olhar de Natureza Druida |
A geobióloga e paisagista CassYes
H. Ethain coordena encontros celebrativos de ciclos lunares
e solares, e desenvolve danças circulares com base na
Espiral Celta. Ela nos conta aqui sobre o mundo celta e como
trabalha hoje o druidismo no “AnDanças”,
um programa que reúne trilhas, caminhadas e danças.
Colaborou na redação também sua apoiadora
Mayra Ní hEireann, estudiosa e praticante do Druidismo,
que participa das Danças Circulares promovidas pela Oscip
Mana-Maní. |
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A sociedade Celta, que desabrocha na Idade do Bronze, e
que embora seja tomada pelas figuras de reis e heróis,
é também fortemente marcada pela importante
presença da mulher. Numa época em que povos
como gregos e romanos se impunham em ótica fortemente
patriarcal, a sociedade celta mostrava a valoração
da mulher. Não é raro na mitologia e história
desse povo, exemplo de mulheres guerreiras, druidesas, deusas
e rainhas, todas com forte aparato, igualando-se aos homens,
em força, sagacidade, beleza, sabedoria e eloqüência.
Diodorus Siculus, um dos relatores romanos que escreveu sobre
a sociedade celta, nos diz o seguinte sobre as mulheres: "As
mulheres gaulesas não se assemelham aos homens somente
em sua grande estatura, mas também lhes são
páreo em coragem". E também: "Elas
geralmente cedem sua virgindade a outros e isto não
é visto como uma desgraça: pelo contrário,
elas se sentem ofendidas quando seus favores são recusados",
mostrando assim que a sexualidade não era algo de que
nem os homens celtas nem as mulheres se envergonhassem. Isso
pode parecer para algumas pessoas falta de moralidade, mas
na verdade são os valores da sociedade ocidental contemporânea
que nos fazem pensar dessa forma. Quando uma nobre romana,
não acostumada com a liberdade e a força do
caráter das mulheres celtas, questionou a integridade
moral de uma delas, ouviu a acachapante resposta: "Nós,
mulheres celtas, atendemos às exigências da natureza
com muito mais dignidade do que vocês, romanas: pois
enquanto nós copulamos abertamente com nossos melhores
homens, vocês secretamente se sujeitam aos mais vis".
Os Celtas não só entendiam o papel e importância
da mulher, mas compreendiam sua força de divindade.
Dessa importância tem-se que algumas tribos celtas adotavam
os sobrenomes das mães e não dos pais para seus
descendentes, o que lhes dava um caráter matrilinear.
Ser guerreira era tão honrado e nobre quanto ser rainha,
druidesa e/ou mãe, sem perder sua feminilidade. Quanto
às druidesas, essa expressão foi adotada a partir
dos séculos 3 e 4 para definir as mulheres druidas
ou sacerdotisas. Segundo a mitologia celta e os relatos romanos,
as sacerdotisas estariam ligadas, além das práticas
mágicas, à arte da cura e da profecia, principalmente.
A mulher celta de alguma forma estava ligada à soberania
da Terra, geralmente representada pela rainha de um povo.
Agredir física ou moralmente uma rainha era o mesmo
que manchar
a soberania da Terra. Essa maneira de entender e ver a mulher
em foco de igualdade nos dá a idéia da hierarquia
"horizontal" dos druidas, sem que houvesse um sobrepondo
ou subjugando o outro, embora cada um tivesse sua função
e participação específica dentro da sociedade.
A história desse povo nos conta que, tanto druidas
e druidesas, eram sacerdotes pagãos, que veneravam
os espíritos e deuses da Natureza; portanto, havia
respeito mútuo, o que os tornava seres de mesmo merecimento
num mundo em que tudo era sagrado, e a ordem natural das coisas
era vista como o tempo único e contínuo, a alma
eterna e imortal, podendo ou não viver muitas vidas,
conforme o livre arbítrio, sem carmas, castigos ou
punições. Era apenas simplesmente Vida.
Rainha, guerreira, druidesa e mãe
- Hoje, as mulheres modernas carregam facetas essas, e trazem
consigo a energia de rainha, guerreira, druidesa e mãe,
ao mesmo tempo, que ainda trilham a luta pela igualdade e
respeito mútuos. Uma das muitas coisas que pudemos
aprender com nossas ancestrais mulheres celtas é ter
em si suas facetas e saber mantê-las em equilíbrio
e harmonia com nossa vida. Temos que ser firme e corajosa
como uma guerreira no trabalho, ou então fluente e
convincente como uma poetiza numa reunião de negócios.
Eficiente e mantenedora no meu lar. Quente e amável
com o marido. E tudo isso tem que caber dentro de uma só
mulher.
Nesse sentido, o tripé druida que pode ser representado
numa figura orgânica do triskle (três espirais),
e que sustenta a idéia de honra aos ancestrais, amor
à natureza e conhecimento de cura, abre o leque das
possibilidades nos três níveis: Corpo, Mente
e Espírito - o qual deve ser tomado em equilíbrio
num ritmo harmônico com fins de estabelecer o encontro
“Um conSigo” da mulher. Nessas bases, a mulher
moderna também pode se estruturar, porque cabe a ela
se conhecer e se reconhecer, é a face da mulher druida,
sacerdotisa ou não, mas que reconhece e luta por sua
importância, sem permitir usurpar-lhe essa condição.
Foi assim que, tempos outrora, me deparei com esse entendimento
e trouxe pro meu dia-a-dia a mulher druida que habita em mim,
e um conhecimento milenar por vezes esquecido e perseguido
por idéia machista é hoje alvo de florescimento,
levando-nos aos recantos da alma e da sabedoria, das descobertas
espetaculares de Ser e Estar e Si mesmo.
Na busca da essência do druidismo, compreendi sua beleza
e contemplei seu pensar, percebi que a todos é dado
esse e outros direitos. Porque o conhecimento não foi
perdido, porque está contido e, assim sendo, carregamos
a centelha divina do saber ser, Um coMigo, Um conSigo, nas
espirais da vida.
Explorar o druidismo é o mesmo que explorar a si mesmo,
abrindo-se para um mundo além do que pode ser visto,
é ter em mente uma dimensão maior do Univer so
e da vida como um todo, é encontrar um sentido puro
e simples no viver, e ter certeza em si e na sabedoria do
ComPartilhar. E compartilhar é a fração
máxima, é a dança universal, é
movimento que dá vida, que a torna plena, esplêndida
e VIVA.
Valendo de nossa capacidade de pensar, pesquisar, recriar,
perceber, intuir armazenar e executar, somos capazes de pôr
em prática uma dimensão maior de nós
mesmos, alçando vôos certeiros em direção
ao nosso bem estar. E foi vivenciando e explorando o druidismo
que encontrei respostas e meios para questões ora simples,
ora complexas, que por vezes me acometiam.
Espirais: relaxar e despertar ao
mesmo tempo - Debrucei-me num olhar profundo e sutil
de excepcional beleza. Lancei-me nas AnDanças desse
caminho, e encontrei o contato interior “Um conMigo”,
cada vez mais forte; uma sensação de proximidade,
predizendo a eternidade, como se o tempo não tivesse
começo nem fim, num estado de sentir o Todo e seu esplendor.
Essa é uma das melhores experiências de percepção
a que me permiti, porque transcende o olhar do contexto linear
de tempo. E as espirais em si são contínuas,
intermináveis e dinâmicas, causam vibração
e satisfação a quem se dispõe sentir.
Faço uso de espirais e outras formas repletas de significados
druidas, em danças circulares deixando-me levar a lugares
sagrados de mim e de fora de mim, são nemetons de conexão,
e espaços de forças de expressão natural.
Realizo o que tenho de mais importante, a consciência
de minha essência, desperto num composto de cor, luz,
vibração e movimentos que são a poesia
da alma.
Portanto, dançar é relaxar e despertar ao mesmo
tempo. É fortalecer as virtudes emocionais capazes
de combater nossos conflitos, aliviando as emoções
à medida que expandi o campo vibracional para um foco
específico de equilíbrio. Dançar é
de natureza humana, e remove bloqueios porque limpa o subconsciente
e devolve quem você “É”. Dançar
amplia a percepção de nós mesmos e de
fora de si. São espirais de mim que me integram, e
me fortalecem individualmente.
A Espiral Andança está aberta aos interessados
que desejam trilhar pela "magia" desses movimentos
seguindo os ciclos lunar e solar em clareiras de nossos bosques.
Nosso objetivo é movimentar e aprofundar o conhecimento,
dando ênfase à nossa natureza "mágica"
e através da manipulação do campo quântico. |
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CassYes H. Ethain é Geógrafa
Paisagista/Geobióloga. Exploradora de Druidismo e Terapeuta
Floral. Fundadora do “Forest Clã”, organiza
e coordena encontros e cursos de resgate com celebrações
de ciclos lunares e solares, intimamente ligados ao Feminino.
Em contato constante com trabalhos de cura, parte de princípios
druídicos xamânicos e florais de Bach, desenvolvendo
danças circulares com base na Espiral Celta e meditativas
florais. “AnDanças” é um programa
que reúne trilhas, caminhadas e danças
cassyes@hotmail.com
http://www.cassiadias.ggf.br
CURITIBA/PR |
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Mayra Ní hEireann é
Graduanda em Ciências da Religião pela UEPa.
Estudiosa e praticante do Druidismo. Participa das Rodas de
Danças Circulares Sagradas dos Povos promovidas pela
Oscip Mana-Maní (Organização da Sociedade
Civil de Interesse Público, pelo Ministério
da Justiça, desde maio/2006)
mayrafaro@yahoo.com.br
CURITIBA/PR |
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| Uma mulher com alma celta |
| Artista de múltiplos talentos,
Patrícia Fox coordena o Hera Mágica, espaço
totalmente focado no Feminino Essencial. Iniciada no druidismo
por Emma Restall Orr, ela nos fala como sente sua energia de
druidesa e de como esta paixão foi parar tatuada no braço,
há mais de dez anos. |
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Tudo
começou pela minha paixão por contos arturianos
e medievais.
Venho de uma família de mulheres fortes e não
foi estranho para mim me deparar com personagens como a de
Morgana, por exemplo. A identificação foi imediata.
No final da minha adolescência, li "As Brumas de
Avalon" e descobri que havia uma espiritualidade por
detrás dos mitos e contos que tanto amava. Logo depois,
me lancei nas pesquisas e práticas.
O fato das características e direitos das mulheres
serem respeitados, aliás, mais que isso, fazerem naturalmente
parte da sociedade celta foi uma das razões que me
fizeram entrar de corpo, mente e espírito nessa, como
eu chamo carinhosamente, "brincadeira"!
O contato com os ciclos da Terra, a arte como expressão
da alma, o sacerdócio respeitando os talentos de cada
um, dentre outras características do que chamamos de
Druidismo, também me fizeram me ligar profundamente
ao movimento.
No ano de 1999, junto com a minha irmã, Paula Machado,
e o Claudio (Crow, meu marido na
época), resolvi abrir a Hera Mágica, e um dos
pontos principais do trabalho foi, justamente, a divulgação
da cultura celta, através do Druidismo.
Em 2002, junto com a Editora Hi-Brasil (da qual fui uma das
sócias fundadoras e parte do conselho editorial), lançamos
dois livros de Emma Restall Orr, e também a trouxemos
para o Brasil para um workshop. Nessa mesma ocasião,
Emma, uma das principais personalidades do movimento druídico,
nos iniciou em sua Tradição.
Triskle tatuado há mais de
10 anos - Não sou essencialmente praticante
do Druidismo mas, com certeza, essa é uma das tradições
e filosofias que mais me tocam. As deidades celtas, os rituais,
a liberdade com responsabilidade e bom senso, e o fato de
termos que "fazer nossa parte" - individualmente
- para criar um "todo" mais equilibrado e coeso,
são pontos que fazem com que minha linguagem no trabalho
com Espiritualidade Feminina e Eco-espiritualidade tenham
características com raízes bem celtas.
Marquei meu corpo com
uma tatuagem de um triskle há mais de 10 anos e, sempre
que olho para meu pulso, lembro do equilíbrio que busco
de corpo, mente e espírito.
O símbolo é pré-céltico e está
presente em várias culturas e em eras da humanidade.
O triskle tem outros inúmeros significados, como a
vida-morte-vida (ou renascimento). Ou seja, o movimento da
natureza e, por conta disso, exemplifica justamente um dos
mistérios da espiritualidade.
Acho que posso dizer que sou uma mulher com alma celta: prezo
minha independência, amo meus ciclos, e cada passo que
dou em minha jornada, tenho a arte e a criatividade como linguagem,
respeito todas as formas de vida (visíveis e não
visíveis) e procuro fazer o bem e caminhar pela luz,
mas sem esquecer de que tenho uma sombra que precisa de atenção
e respeito.
Eu sinto que a energia das mulheres celtas (que quase todo
descendente de europeus carrega em suas veias) está
mais que presente e viva nos tempos atuais, e nutrir essa
energia é algo necessário para que recuperemos
muito da nossa percepção sobre a nossa Mãe
primordial, a Terra que nos criou, nos alimenta, e um dia
nos receberá para que renasçamos dela.
Que as Deusas celtas sejam despertas, pois temos muito o que
resgatar e aplicar no nosso dia-a-dia! |
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Patricia Fox é focalizadora
e terapeuta de Espiritualidade e Bem-estar Feminino. Idealizadora
da Hera Mágica Cultural, espaço de cultura e
espiritualidade, localizado em São Paulo, capital,
há 8 anos.
Faz atendimentos, aconselhamento terapêutico onde mescla
mitos, oráculos, aplicação de técnicas
integrativas e terapia xamânica.
Patricia também é musicista, astróloga,
aromaterapeuta e especializada em diversas técnicas
terapêuticas. Praticante da Sagrada Dança do
Ventre e Yoga. Atualmente estuda e pratica TribalFusion BellyDance.
http://www.patriciafox.multiply.com
http://www.heramagica.com.br
http://www.femininoessencial.com.br
patfoxy@gmail.com
SÃO PAULO/SP |
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| Somos o círculo |
| A nosso convite, a educadora Lucineide
Nobre puxa da memória várias cenas que experienciou
envolvendo vivências em círculos, como dançar
no pico de uma montanha a uma altitude de mil metros, ou formar
uma espiral humana com mais de mil participantes. Ao contar
suas andanças, também nos propõe uma reflexão
sobre a magia da circularidade. |
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Certa vez, ao passar diante de uma vitrine num modesto
centro comercial, senti-me atraída por um pequeno modelo
do labirinto de Chartres (*), pintado numa mandala de vidro
ali exposta, e decidi presentear-me, sem porquê.
Percorrendo o labirinto com o olhar e sentindo a alternância
de movimento - ora, a proximidade, ora, o distanciamento em
relação ao centro -, era como se minhas pupilas
guiassem todo o meu Ser numa suave dança cósmica;
ao alcançar a rosácea central, a pausa, a contemplação,
antes de retomar o movimento do centro para o exterior.
Assim, o labirinto de Chartres numa singela mandala favoreceu-me
no exercício de percepção sutil, estabelecendo
uma sintonia invisível em novas escolhas e remetendo-me
a tantos outros círculos e múltiplos alcances.
No Instituto Visão Futuro (interior de São Paulo)
e no Instituto Renascer da Consciência (interior de
Minas Gerais), entre outros locais, vivenciei momentos singulares
de profunda serenidade e conexão com a totalidade,
nos grandes labirintos circulares cuidadosamente delineados
no chão e com um centro. O centro é um espaço
de confiança, de conexão com as forças
cósmicas, de legítimo empoderamento. No centro,
vivencio a pausa essencial e a percepção ampliada.
No retorno do centro, um novo caminhar e meu Ser preenchido
de gratidão, vibrando em serena alegria.
Outra significativa experiência ocorreu-me na espiral
formatada no piso da grande pirâmide do templo da LBV,
em Brasília. Na convicção de estar adentrando
um espaço sagrado, e com a simplicidade de uma peregrina,
silenciosamente fui iniciando o percurso, sem pressa, um passo
a cada passo, sentindo o caminhar e o caminho, até
chegar no centro, onde acolhi as vibrações do
imenso cristal localizado no alto da pirâmide e em perfeito
alinhamento com o centro da espiral. Retornei do centro sentindo-me
fortalecida.
Também não posso deixar de referir-me ao mágico
momento em que configuramos - gente de todos os continentes
- uma imensa espiral em volta da Chama da Paz, na Ilha de
Florianópolis; naquela espiral, por ocasião
do Festival Mundial da Paz, éramos 1.111 corações
guardiãos da chama de pacificação (pacífica
ação), ativando um forte campo energético.
Em estado de graça
- Contudo, tem sido através das danças circulares
sagradas, danças meditativas, de cura, de celebração,
em mandalas vivas, que eu tenho acessado com mais freqüência
o sentimento de comunhão (comum união) com mais
pessoas, de alegria e gratidão indescritíveis.
Em vários lugares desse continental-país: praças
públicas, salões menos expostos, na região
serrana, na duna litorânea, na clareira, no bosque,
na praia, nas salas de aula, enfim, nas mais diversas ocasiões
tenho vivenciado momentos inesquecíveis em rodas de
danças; algumas vezes, num pequeno círculo,
outras vezes, num grande círculo, e em múltiplos
círculos concêntricos, ora em profundo silêncio,
ora entoando mantras, e dançando a unidade.
Uma dessas mais fortes vivências pra mim ocorreu em
Brasília, com a serena presença e bênçãos
do Lama Sonam. Foi dançando a Mandala de Tara, num
intenso e poderoso campo vibracional ativado na dinâmica
dessa Mandala.
Com duração aproximada de uma hora, integrando
de forma ritualística e alegre, mantras, cantos, geometria
sagrada, dança de manifestação de 21
atributos da divindade, a oferenda da Mandala de Tara é
uma vivência preciosa e nos proporciona substancial
expansão em amor. Foi concebida por duas mulheres luminosas,
Prema Dashara e Anahata Iridah, como oferenda para o bem de
todos os seres vivos, inspirada na sadhana (ensinamentos espirituais)
tibetana.
Foram muitos os momentos em que dançando no círculo
percebi-me em estado de graça, sentindo a música
preencher o meu corpo e a potência do círculo
conduzir-me na dança. Muitos desses eventos foram previamente
definidos, minuciosamente preparados; e outros, inusitados,
espontâneos, e não menos especiais, como um momento
de dança meditativa ocorrido num anoitecer, após
a contemplação do pôr-do-sol e de toda
exuberância da natureza numa região serrana do
Ceará. Ali mesmo, sobre o Pico Alto, há 1.115
metros de altitude, eu e um grupo de pessoas amigas, dançamos
em círculo a eternidade do instante, num sagrado encontro.
E na conspiração do mistério, ainda fomos
presenteadas com a gravação da dança
real time, por um turista que nos surpreendeu com
sua câmera enquanto dançávamos no círculo.
Cada partícula do meu Ser remete-me à circularidade
e ao movimento, a muitas danças em minhas andanças.
Somos o círculo... a espiral... dentro do círculo...
na dança cósmica... sem princípio, sem
final!
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Lucineide Nobre é Educadora,
integrante do conselho gestor da Unipaz-CE, facilitadora d'A
Arte de Viver em Paz no Programa Beija-Flor da Unipaz, atuante
em consultoria educacional na abordagem biocêntrica
e holística, mãe de Adriano, Danilo e Denize,
e uma incansável aprendente de ser e conviver
lucineidenobre@yahoo.com.br
FORTALEZA/CE |
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(*) Grande labirinto no piso junto ao
altar principal da Catedral de Chartres, na França.
Fotos
www.hermetics.org
Arquivos pessoais |
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