Se você ama com todas as forças de seu coração,
então sabe - ou algum dia soube - o que é ser
mulher! É sempre uma força arrebatadora, e altamente
zelosa sua manifestação. Não tem hora
nem lugar, simplesmente é...
Ser mulher é encontrar o seu poder, sua fé,
sua alegria de viver. É amar como se fosse o último
dia de sua vida, é chorar as próprias perdas
até o dilaceramento da alma, é curar-se em seu
próprio recolhimento, na sua própria espiritualidade.
A mulher é movida pelo amor e por suas paixões,
e isso ninguém lhe tira, é de sua natureza.
O fogo sagrado mora dentro dela, e quem quiser despertar sua
atenção precisa ser corajoso o bastante e não
ter medo de compartilhar esse fogo com ela.
Ela sabe ser meiga e carinhosa, mas também sabe ser
feroz e exigente quando se torna necessário lutar pelos
seus ideais. Os ideais da mulher são grandiosos, e
parte do seu aprendizado está em amadurecê-los,
ou seja, torná-los reais, passíveis de experiência
real. É a partir dessas experiências que ela
vai tornando-se interessante, forte e profundamente sábia.
Nesse confronto de ilusão com realidade, a mulher tem
a chance de crescer e começar a acessar sua alma, sua
verdadeira fonte criativa.
A mulher que não conhece sua alma, sua verdadeira natureza,
torna-se frágil, dependente, carente, medrosa, insegura.
Passa a viver uma vida de mentiras, e o pior: passa a acreditar
na própria mentira.
A mulher que consegue ver a simplicidade e a beleza nas pequenas
coisas, e sentir gratidão por ser portadora de uma
missão tão bonita como a de regenerar a terra
e trazer generosidade para a humanidade, com certeza está
no caminho... A coragem de não saber onde ele vai dar
também faz parte da entrega a caminho da busca.
Integrar todas as faces -
Através dos sete principais arquétipos femininos
representados pelas Deusas Gregas, ou sete padrões
de comportamento que caracterizam a personalidade da mulher,
ela tem a possibilidade de fazer sua auto-análise e
trazer para a consciência questões fundamentais
para a compreensão e transformação dos
vários aspectos que a compõe. É a relação
harmoniosa entre esses vários aspectos que permitem
à mulher ser inteira, íntegra, e a não
ter medo de seu próprio poder, pois cada aspecto tem
a sua necessidade própria de ser nutrido.
São eles:
Afrodite (criatividade, sexualidade, amor), Hera (fidelidade,
casamento sagrado), Atena (planejamento, estratégias),
Ártemis (independência, ideais de vida), Perséfone
(autoconhecimen to,
sensibilidade), Deméter (maternidade, fertilidade,
cuidado com o outro) e Héstia (espiritualidade, fogo
sagrado).
Geralmente, não temos consciência de todas essas
faces e é essa falta de consciência e integração
que traz os conflitos. Ela é gerada na cultura ocidental
pela cisão entre a razão e a intuição.
Linguagens como a dos símbolos, mitos e sonhos passaram
a ser associadas a linguagens infantis, e não tiveram
espaço na cultura ocidental racional.
Pânico, tédio, crises de choro, comportamentos
destrutivos, entre outros sintomas depressivos que hoje acometem
muitas mulheres, estão, em muitos casos, relacionados
com uma certa negligência da mulher em relação
ao próprio ser feminino, por não procurar compreender
e acolher suas diversas faces.
A depressão feminina aparentemente "sem explicação",
como nos casos de mulheres bem sucedidas profissionalmente,
mas que se sentem fracassadas e tristes, é muito comum
em mulheres que se viram "obrigadas" a relegar a
um segundo plano arquétipos ligados à intuição,
à sensibilidade, como, por exemplo, o de Perséfone.
Outro exemplo é o da mulher que viveu muito tempo para
a carreira. Essa mulher pode não saber como seduzir
um homem, como dançar e se soltar - nesse caso viveu
muito a Atena e não deu muita importância à
Afrodite. Também a mulher de 50 anos que só
viveu para o marido e para os filhos pode, nessa altura da
vida, se sentir vazia, sem chão, quando os filhos crescem
e vão embora - nesse caso viveu muito Deméter
e não deu muita importância para si, para seus
ideais (Ártemis).
A grande dificuldade da maioria das mulheres é a integração
de todas as suas faces. A cura vem da integração
dos vários aspectos da psique feminina, da liberdade
que a mulher tem de ser o que realmente é, em toda
sua plenitude.
Toda mulher é linda, atraente, curandeira, xamã,
sacerdotisa, anciã sábia!
Necessitamos acreditar em nós mesmas, no poder que
temos de curar todos os nossos aspectos sombrios, aspectos
que por milênios não nos permitiram viver! Aspectos
que foram considerados perigosos, talvez por conter tanta
simplicidade em sua forma, tanta beleza, tanta sabedoria e
compaixão, que alguns se sentiram ameaçados
por serem tão diferentes dessa natureza!!!
A mulher é um ser sagrado, pleno de sabedoria, instintivo,
intuitivo... Ela conhece os Mistérios Sagrados ligados
aos ciclos, pois ela própria é cíclica,
mutante, e conhece como ninguém os segredos da vida/morte/vida,
ou seja, junto com o processo da vida está a morte
e as transformações decorrentes desta, abrindo
assim a possibilidade do renascimento. É assim que
o seu corpo a avisa todo mês, através do ciclo
menstrual, que a vida continua. Que o sangue verte, que os
filhos nascem, que os frutos amadurecem e caem novamente no
solo, e que a vida ressurge novamente!
Homenagem ao Grande Feminino
Desperta mulher!
Não te deixes influenciar por aquelas vozes que só
sabem afrouxar teus laços...
Zela por tua vida como um felino cuida de sua cria...
Predadores existem por toda parte, por isso estejas atenta...
Ama sempre, será aí que buscarás tua
força...
Sejas sempre tu mesma, um lindo caminho te aguarda...
Não desanimes nunca, pois mesmo que não te lembres,
fizeste tua escolha...
Confia! |